IPStartUp Week 2018 | Diário de Bordo
2.º DIA | 25 de julho de 2018
Academia IPStartUp Week #2: Porque a Ciência é natural
Não apenas um, mas múltiplos desafios aguardavam os participantes, na ESTBarreiro/IPS.
Depois da receção e da visita às instalações desta escola superior do Politécnico de Setúbal,
os estudantes foram divididos em grupos mais pequenos, passando rotativamente por
estações com diversas atividades.
Se num laboratório a proposta era fazer um fio de nylon (literalmente), noutros, o desafio
passava por tarefas como identificar bactérias, decompor cadeias de ADN, desenhar um
cubo tridemensional ou participar na transformação de petróleo. Em comum, explicou a
subdiretora da ESTBarreiro/IPS, Raquel Barreira, as atividades tinham um objetivo:
"Mostrar aos estudantes o que podem encontrar nas nossas formações".
Por essa razão, os desafios propostos, acrescentou, são representativos da oferta formativa
desta escola, sendo divididos pelas áreas de Engenharia Civil, Tecnologias do Petróleo,
Biotecnologia e Bioinformática.
Para ilustrar a licenciatura em Engenharia Civil, a ESTBarreiro/IPS propôs aos estudantes
utilizar o AutoCad - uma ferramenta essencial nesta área de atividade. Através desta
experiência, realçou Raquel Barreira, o objetivo passa também por mostrar uma outra
dimensão do trabalho realizado por um engenheiro civil. "Os estudantes podem associar a
profissão apenas ao controlo de obras e queremos mostrar a vertente do trabalho de
gabinete, de criação do projeto".
Outra das estações tinha como foco uma das adições mais recentes da oferta formativa da
ESTBarreiro/IPS: a licenciatura em Bioinformática. O curso caminha para o segundo ano de
existência e, segundo a subdiretora, "os resultados são satisfatórios". As vagas foram
completamente preenchidas e "os alunos registam um excelente desempenho e oferecem
um feedback muito positivo".

De resto, as áreas "bio" são, atualmente, de acordo com Raquel Barreira, muito procuradas
pelos estudantes. Um dado que é ilustrado pelo facto de o curso mais popular da
ESTBarreiro/IPS ser o curso de Biotecnologia - uma formação com que os participantes da
IPStartUp Week também tiveram oportunidade de contactar, investigando o mundo de
bactérias e de proteínas de DNA.
Noutro dos pontos do laboratório, um grupo de estudantes encontrava- se junto a um
cartaz onde se podia ler: "Há Petróleo na ESTBarreiro". A informação não diz respeito ao
"ouro negro", mas à licenciatura em Tecnologias do Petróleo - a primeira criada no ensino
superior público português.
A aposta estratégica, explicou a subdiretora, baseia-se, em parte, na proximidade a Sines e
foi consolidada através da junção de duas grandes áreas de conhecimentos - a Engenharia
Civil e a Engenharia Química. "Estas duas áreas permitem a especialização na prospeção e
na refinação, respetivamente", explicou.
Do laboratório ao campo
O final da tarde reservou ainda um percurso de oito quilómetros pelo coração da Mata da
Machada. A viagem começou no Centro de Educação Ambiental, onde o engenheiro
florestal, Nuno Cabrita, recebeu os participantes. A partir daí, a tarde fez-se pelos trilhos
desta mata nacional, descobrindo a biodiversidade da fauna e flora locais, bem como o
quotidiano da gestão florestal.
Um dos pontos salientados por Nuno Cabrita diz respeito ao combate das espécies
invasoras. Plantas como a acácia ou o chorão de praia alastram pelos habitats, "erradicando
98% a 99% da biodiversidade existente". Por essa razão, na Mata da Machada, luta-se
diariamente para manter o equilíbrio.
Neste combate, destacou o engenheiro residente, uma parte importante do trabalho é
realizada por voluntários - de momento, contam-se cerca de 5 000 colaboradores neste
regime, desde 2014. A mesma lógica aplica-se para a vigia da floresta: para além dos vigias
profissionais, é possível a qualquer jovem participar num programa do Instituto Português
do Desporto e Juventude.
Ainda relativamente à gestão florestal, os incêndios e a sua prevenção não foram
esquecidos, com Nuno Cabrita a explicar as técnicas utilizadas que se observam em
algumas das partes deste espaço verde. O objetivo, realçou, é "criar uma descontinuidade
no combustível", ou seja, "tornar o fogo mais lento, menos violento e menos impactante".
À conversa com empreendedores
Depois do jantar, os participantes tiveram oportunidade de conhecer dois estudantes do IPS
que desenvolvem projetos de empreendedorismo. Durante cerca de uma hora, alguns
temas relacionados com a temática desta semana foram abordados, com os visitantes a
partilharem o seu percurso e alguns conselhos com os participantes.
Conforme recordou a moderadora da sessão e colaboradora da IPStartUP, Elis Ossmane, o
IPS tem nesta incubadora uma unidade dedicada "à promoção do empreendedorismo".
Durante o ano letivo, esta estrutura dinamiza workshops e atividades. O objetivo é "mostrar
aos estudantes que é possível fazer coisas únicas e diferentes".
Um dos empreendedores presentes na sessão, Rodrigo Fernandes, está prestes a terminar a
licenciatura em Engenharia Biomédica e encontra- se a desenvolver um produto na área da
saúde: um dispositivo médico para corrigir lesões do pulso. Depois da ideia original,
explicou, surgiram melhoramentos, como a adaptação a outros tipos de lesões e a
especialização de um produto para equipas de futebol, por exemplo.
A seu lado, David Sousa apresentou também a sua ideia de negócio - a produção de ração a
partir de microalgas. A ideia surgiu ainda durante o curso de Biotecnologia. Depois de um
foco incial nos biocombustíveis, o projeto centrou-se no setor da agropecuário, uma vez que
as microalgas são "uma grande fonte de proteína". Por outro lado, sublinhou, "este é um
setor que movimenta, só na Europa, 70 mil milhões de toneladas de ração por ano".
Ambos os empreendedores destacaram a importância de encontrar apoios e recursos
adicionais que evitem a dependência de fundos próprios. Neste ponto, salientaram, é
importante pesquisar fundos nacionais e europeus que apoiam projetos empreendedores. A
importância de dominar a língua inglesa e de ser confrontado com as limitações do projeto
foram também destacadas pelos empreendedores.
Texto e imagens: Fórum Estudante
|
|