Licenciatura em Engenharia Civil
1. O que o
levou a escolher a área da ciência e tecnologia, e mais propriamente a
Engenharia Civil?
A minha formação de base foi o Curso Tecnológico de Construção Civil.
No fundo, esta formação seria o normal percurso no secundário mas
com a particularidade de pertencer à área tecnológica, especificamente
construção civil. Inicialmente pretendia ficar com a formação
secundária. Depois, à medida que fui aprendendo, decidi continuar.
2. E o
Instituto Politécnico de Setúbal? Porquê esta escolha?
Para ser sincero, a minha média não me permitiu ficar em Lisboa.
Deparei-me, então, com a abertura deste curso no mesmo ano. Era
uma possibilidade de me manter próximo sem ser deslocado. Assim
foi, e ainda bem.
3. Em cinco
anos de curso certamente recorda bons e maus momentos. Quais as
maiores alegrias e dificuldades sentidas?
Confirmo que houve algumas dificuldades, principalmente porque a
escola era nova e acompanhámos todo o processo de início de
funcionamento, bem como as dificuldades que daí advêm. Mas isso é
apenas um pormenor comparado com todas as alegrias e apoio que
sentimos ao participar no início deste desafio. Afinal, nós éramos os
primeiros destinatários do propósito desta escola.
4. Foi um dos
primeiros diplomados pela Escola Superior de Tecnologia do Barreiro.
Que preparação lhe deu a ESTBarreiro/IPS para o seu desempenho
enquanto engenheiro?
Toda a formação académica que adquirimos faz falta para o nosso
percurso profissional. Por vezes, ouvimos colegas a dizerem que, para
quem está em obra, a formação académica pouco conta. Não concordo
pois podemos não aplicar as equações matemáticas mas aplicamos
conceitos, técnicas e capacidade de raciocínio, também adquiridas
durante o curso.
5. Para a
maioria dos primeiros diplomados da ESTBarreiro/IPS, os últimos anos
do curso eram já passados a trabalhar. Que vantagens retira um
trabalhador-estudante?
As vantagens são muitas pois estamos a aplicar no terreno aquilo que
aprendemos na escola, logo estamos a ter a melhor das escolas que é
a experiência.
6. Como foi a
inserção no mercado de trabalho após o término do curso?
Comecei a trabalhar antes de terminar o curso. Depois de terminar o
curso foi como se o meu estágio já estivesse concluído. Permaneci na
mesma empresa.
7. Esteve a
exercer funções na Somague em Angola. Como surgiu esta
oportunidade? Relate-nos um pouco da experiência de trabalhar fora
de Portugal.
Foi das experiências profissionais mais gratificantes e exigentes que já
tive. A oportunidade surgiu a partir do meu Superior, ao convidar-me
para integrar uma equipa que iria deslocar-se para Angola com o
objetivo de desenvolver um projeto amplo, que implicava a
reestruturação da Sucursal da Somague em Angola. Neste contexto,
durante 2 anos fui responsável do estaleiro central da Somague em
Luanda. Durante todo este tempo tive contacto com inúmeras obras
que tínhamos em curso, pois a estrutura que dirigia funcionava como
elo de ligação e de apoio a todas elas. Para mim foi um desafio
estimulante e rico em aprendizagem em áreas como: mecânica,
equipamentos de elevação, equipamentos de britagem, equipamentos
de produção de betão, logística, manutenção, armazém geral,
serralharias, carpintarias e equipamentos marítimos.
Depois de 2 anos no estaleiro parti para um novo projeto, desta feita,
em direção de obra, onde participei na construção de um condomínio
constituído por moradias de luxo.
8. Que
conselho(s) dá aos estudantes do Ensino Superior e aos recém-
licenciados que andam neste momento em busca do primeiro
emprego?
Nos dias de hoje o nosso mercado é complicado, mas o segredo é
nunca baixar os braços. Há que ponderar vários aspetos na estratégia
que delineamos para resolver a nossa situação profissional. Ver até
onde quero ir e como posso lá chegar. Será que o estrangeiro é opção?
Porque não? E cá dentro, quais são as opções que tenho? É com
muita satisfação que vejo colegas nossos, e não são poucos, todos
formados no Barreiro, a pagarem as suas contas com o trabalho
realizado nas suas próprias empresas e projetos. O que interessa é
sermos empenhados no que fazemos para que seja sempre feito com
sucesso, o resto vem por acréscimo.