Licenciatura em Enfermagem
Sara Rodrigues é antiga aluna do Instituto Politécnico de Setúbal e um
exemplo de sucesso no que respeita ao ingresso no mercado de
trabalho.
Frequentou a Licenciatura em Enfermagem na Escola Superior de
Saúde do Instituto Politécnico de Setúbal (ESS/IPS), entre 2005 e
2010. O empenho, dedicação e vocação demonstrados no estágio
curricular de último ano podem ter-lhe valido a primeira oportunidade
de emprego no Serviço de Neonatologia do Hospital Fernando Fonseca
(Amadora-Sintra).
"Ter sido selecionada para iniciar funções no serviço de
neonatologia do HFF foi simplesmente indescritível, pois trata-se de
uma das áreas profissionais onde ambicionei crescer e onde,
inclusivamente, colegas da equipa interdisciplinar, conheceram de
perto o trabalho que desenvolvi ao longo do estágio" - afirma a
Enfermeira Sara.
"A Licenciatura foi um experiência única e bastante gratificante.
Trabalhei muito, chorei e sorri, durante todo o percurso, mas hoje sou
feliz e realizada por fazer aquilo que gosto e que me preenche" -
acrescenta.
1. Licenciou-
se em Enfermagem. Foi uma opção tomada por vocação?
Durante a minha infância, tal como todas as crianças, tive gosto por
outras profissões. Inicialmente quis ser cabeleireira, mas cedo mudei
de ideias, para dar lugar à medicina veterinária. A área da saúde,
desde logo, me despertou interesse sendo que a partir dos meus 10
anos já tinha como certo que seria veterinária ou enfermeira... A
necessidade de estar em contacto com as pessoas, bem como a
necessidade de fazer a diferença, de alguma forma, na vida das
mesmas, levou- me a optar pela enfermagem. E sim, considero que a
minha paixão pela arte do cuidar é sustentada por algumas
características pessoais que me permitem estar no mundo da
enfermagem.
2. O que a
levou a escolher a Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de
Setúbal?
Por duas razões principais. Primeiro era a escola mais perto da minha
residência. Segundo, tinha alguns amigos e conhecidos que já se
encontravam no Instituto Politécnico de Setúbal, nomeadamente na
Escola Superior de Tecnologia de Setúbal e na Escola Superior de
Educação. A associação das duas premissas levou à minha escolha.
3. Quais os
momentos que recorda com mais carinho?
São vários. Desde o traçar da capa, cerimónia académica que foi o
culminar das atividades de integração, passando pelas noitadas em
grupo para terminar trabalhos, o companheirismo e as amizades que
se criaram, bem como algumas festas como a semana académica. O
culminar dos próprios estágios (ensinos clínicos), foram momentos
que permitiram um grande desenvolvimento pessoal e académico,
fortaleceram algumas amizades e corroboraram o sentimento, que já
trazia comigo, de que realmente se pode fazer a diferença com
pequenos gestos e, ainda, a cerimónia do compromisso realizada no
final do curso. Estes são alguns exemplos de entre tantos.
4. Quais
destacaria como o melhor e o pior momento do curso?
O melhor, sem dúvida, que foi a partilha de emoções na queima das
fitas, na conclusão do curso, sendo o culminar de tanto esforço e
dedicação. Quanto ao momento pior, talvez um ensino clínico em
particular que exigiu de mim mais empenho, mas até esse me tornou
mais forte, sendo por isso, também uma mais-valia.
5. O curso
proporcionou-lhe uma experiência além fronteiras. Como surgiu e
decorreu?
É verdade. Tive conhecimento através da Professora Lucília Nunes, de
um curso interdisciplinar, o IPPE - Interdisciplinary Program of Paliative
and end-of-life Care - que iria decorrer na Bélgica. Fiquei, desde logo,
interessada por se tratar de uma oportunidade de aumentar
conhecimentos, teóricos e práticos, sobre os cuidados paliativos, uma
das áreas que me preenche particularmente, para além da
neonatologia. Tive, então, conhecimento de uma bolsa que auxiliava
os estudantes com dificuldades de pagamento do respetivo curso e
despesas associadas... E assim me inscrevi, passando por uma prova
de seleção, na qual fui selecionada, juntamente com mais 2 colegas
de enfermagem e 2 de Fisioterapia. Foi uma experiência inesquecível,
onde desenvolvemos bastantes conhecimentos, sobre os cuidados
paliativos e assuntos relacionados como as diferentes visões legais
sobre a eutanásia, as diferenças culturais na vivência do luto, da
cerimónia fúnebre, entre outros, bastante interessantes. Foi um
grande ganho a nível académico, mas sobretudo a nível pessoal.
6. Como
caracteriza a preparação que esta Licenciatura confere aos seus
diplomados?
Todo o recém-licenciado necessita de continuar o seu percurso de
aprendizagem, embora num outro nível. Este depara-se com a busca
do primeiro emprego, necessitando de ganhar confiança e desenvolver
a sua autonomia. Para isso, apenas uma coisa lhe dá poder, para além
da prática... o conhecimento. Nesse âmbito penso que a ESS/IPS
prepara muito bem os seus estudantes. Para além de nos capacitar
em termos teóricos e práticos (no âmbito das Ciências Biomédicas,
Sociais e Humanas, bem como em gestão em saúde, Investigação,
Ética e Bioética e, ainda Deontologia Profissional), estimula o espírito
crítico e a busca continua pelos saberes, sendo isso muito importante
na nossa profissão.
7. Quais os
locais onde realizou os vários estágios curriculares do curso?
Durante o curso tive a oportunidade de passar, a nível hospitalar, pelo
Serviço de Medicina Interna/Neurologia, Serviço de Cirurgia I e
Unidade de Cuidados Especiais Neonatais do Centro Hospitalar de
Setúbal, EPE - Hospital São Bernardo; assim como pelo serviço
Medicina I/ Gastro pneumologia, Serviço de Cirurgia e Serviço de
Obstetrícia do Hospital de Nossa Senhora do Rosário, EPE; Serviço de
Medicina (C8) do Instituto Português de Oncologia Francisco Gentil;
Unidade de Cuidados Intensivos Polivalentes, do Hospital São José e,
ainda, Unidade de Cuidados Intensivos e Especiais Neonatais, do
Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca. No que diz respeito a Centros
de Saúde, tive oportunidade de estagiar no Centro de Saúde do
Lavradio, Centro de Saúde da Baixa da Banheira e no Centro de Saúde
do Vale da Amoreira. Por último, mas não menos importante, pude,
ainda, desenvolver a minha aprendizagem na Comunidade Terapêutica
do Restelo.
8. Como se
deu o ingresso no Hospital onde realizou o estágio de último ano?
Após a conclusão do estágio e, ainda nos últimos dias do processo de
término do curso, deixei um currículo no Hospital Fernando Fonseca
(Amadora-Sintra), onde decorreu o mesmo. Seguidamente, fui
apurada para uma entrevista tendo sido, posteriormente, selecionada.
9. A
Enfermagem é a paixão da sua vida ou partilha-a com outros sonhos?
A enfermagem é uma das paixões da minha vida, mas existem mais.
A música é outra porção de mim, faço parte inclusivamente de um
projeto musical, juntamente com mais 4 pessoas muito especiais.
Lançamos este ano o nosso CD - Rascunho Musical - mas, de
momento, trata-se de um projeto acústico que vai embelezando as
cerimónias nupciais na igreja. Depois existe também a paixão pela
pintura, pela fotografia, pela dança... enfim... Felizmente vivo de
paixões.
10. Está a ser
desenvolvida a Associação de Antigos Alunos do IPS. Consideraria fazer
parte deste projeto?
Tendo em conta a pouca disponibilidade que, atualmente, possuo com
as responsabilidades profissionais e para com o projeto musical, seria
difícil dar resposta às necessidades que me fossem pedidas. No
entanto, pode ser algo a ponderar.
11. Que
conselhos deixa aos estudantes do IPS que os ajude na integração no
mercado de trabalho?
Penso que quando a pessoa é dedicada e empenhada durante o curso
já se dá um grande passo. Considero também que em todos os
estágios é possível mostrar, desde logo, parte da nossa competência, aí
poder-se-ão, ou não, abrir portas. No último estágio, o trabalho
desenvolvido deve ser realizado com esforço adicional, o
desenvolvimento de projetos também mostra as nossas aptidões e
pode ser um auxílio para as instituições que até estão à procura de
novos colaboradores. Depois disso, a persistência, a paciência e a
mesma dedicação são cruciais. Quem luta e se esforça, regra geral é
reconhecido.