Licenciatura em Gestão da Construção
1. A área da
construção sempre despertou o seu interesse? Porquê?
Desde muito novo, por influência familiar, a construção civil despertou
o meu interesse. O meu pai era promotor imobiliário na área da
habitação e o trabalho que desenvolvia, que muitas vezes
acompanhei, acabou por despertar o interesse de tal forma que viria a
condicionar as escolhas que tomei logo desde o ensino secundário, ao
optar pela via do ensino técnico profissional com o curso de
desenhador projetista.
2. Ingressou
na Escola Superior de Tecnologia do Barreiro do IPS através do
concurso Maiores de 23 anos. O que motivou a sua escolha?
Em 1997, terminei o curso técnico profissional de desenhador
projetista, que me abriu portas para o mercado de trabalho em 1998,
momento em que ingressei numa Câmara Municipal para
desempenhar funções como desenhador. Passados alguns anos, com o
intuito de dar seguimento há minha evolução profissional na
instituição que representava, precisava testar em primeiro lugar se o
período que tinha estado sem estudar me permitia enfrentar uma
licenciatura, para que esta evolução fosse sustentada e não um
fracasso. Com efeito tive conhecimento que a Escola Superior de
Tecnologia do Barreiro ia abrir um Curso de Especialização Tecnológico
(CET) em Construção e Obras Públicas, em horário pós-laboral, o que
me permitia evoluir profissionalmente, manter o meu emprego, assim
como perceber quais seriam os meus limites no curto período de
tempo que este curso tinha comparado com uma Licenciatura.
Decorrido com sucesso o ano letivo e uma vez que a parte mais difícil,
de voltar a estudar, já tinha sido ultrapassada, resolvi então não
aguardar pelo fim da totalidade do curso CET, tendo-me candidatado
ao concurso Maiores de 23 anos e ingressado na Licenciatura Gestão
da Construção, pós-laboral.
3. Como
recorda os tempos de estudante?
Recordo os meus tempos de estudante como uma mistura de
emoções, pois estava rodeado de estudantes que se encontravam
todos naquele local e àquelas horas (após um dia de trabalho) com o
objetivo de evoluir pessoal e profissionalmente, o que suscitava um
grande espírito de entre ajuda, bem como por um corpo docente que
sempre transpareceu compreender o esforço que estas pessoas faziam
e que muitas vezes funcionavam como elemento motivador, que nos
permitia permanecer e continuar. Por outro lado, existiram muitos
momentos de frustração, muitas horas a estudar e a fazer os
trabalhos após o período de aulas, mas principalmente porque
privámos e sacrificámos as nossas famílias da nossa companhia para
que cumpríssemos os nossos objetivos. Resumindo recordo os meus
tempos de estudante como um esforço agora recompensado.
4. A nível
profissional, o que mudou após a realização do curso e com a aquisição
de mais conhecimentos?
Desde a realização do meu curso, posso seguramente dizer que a
minha vida mudou por completo. Evolui pessoalmente e
profissionalmente, deixei o emprego que tinha na Câmara Municipal e
tive o privilégio de entrar para uma empresa que desenvolve a sua
atividade na área de Gestão e Coordenação de Projetos/Empreitadas,
que apostou em mim, apesar de ter terminado a licenciatura há pouco
tempo.
5. Qual o
trabalho e local em que mais gostou de desempenhar funções? E
porquê?
O trabalho que desenvolvo atualmente, na empresa Galbilec – Gestão
e Coordenação de Projectos, Lda., é a função que vi muitas vezes o
meu pai a desempenhar e é aquela que me fez despoletar todo este
meu processo académico, sendo que destaco duas obras, às quais
tenho um enorme carinho pelos diversos motivos.
Uma, a primeira obra que geri e fiscalizei, foi a construção do Centro
de Apoio a Deficientes Profundos Luis da Silva, em Borba, dirigida para
um público-alvo muito específico e por existirem carências deste tipo
de equipamentos a nível Nacional, logo senti desde o primeiro dia um
enorme comprometimento em desenvolver a minha função da melhor
forma possível, para que estes utentes no decorrer do usufruto deste
equipamento pudessem evoluir.
A segunda foi a Construção, Alteração e Conservação do Palácio do
Raio, em Braga, que foi construído entre 1752-55, por encomenda de
João Duarte de Faria, ao arquiteto bracarense André Soares,
constituindo um dos mais notáveis edifícios de arquitetura civil de
Braga, em estilo barroco joanino. A reabilitação teve como principais
objetivos a sua recuperação, com vista a assegurar a sua conservação
patrimonial, garantir a segurança de pessoas e bens e a criação de um
novo espaço cultural. A complexidade desta intervenção
contemplaram: a recuperação das fachadas, da escadaria central, do
lanternim da escadaria central, dos azulejos, tetos, pavimentos e
paredes, cantarias e estatuária em pedra, pintura decorativa e
estuques. Todas as intervenções foram acompanhadas e
supervisionadas pela Direção Regional de Cultura do Norte e venceram
dois prémios Nacionais: O Prémio Nacional de Reabilitação Urbana
2016, na categoria de Impacto Social e o Prémio SOS Azulejo 2015,
na categoria Conservação e Restauro do Património Azulejar.
6. De futuro
o que ainda há para fazer e alcançar?
De futuro, e assim que me seja possível, tenho como objetivo
prosseguir com o Mestrado em Conservação e Reabilitação do
Edificado, que é lecionado na Escola Superior de Tecnologia do
Barreiro. Profissionalmente… bem existem ainda muitas metas para
alcançar.