
Politécnico de Setúbal reflete sobre uma docência mais crítica e centrada no estudante
- Categorias Ensino Superior, Estudantes, Inovação, Investigação, Seminários
- Data 29/05/2026
Investigadora Flávia Vieira na abertura do 4.º Seminário de Práticas Pedagógicas do IPS
Flávia Vieira, professora catedrática da Universidade do Minho, defendeu ontem, no Politécnico de Setúbal (IPS), a transição do professor transmissor de conhecimento para o professor-investigador, que estuda as metodologias que põe em prática, numa abordagem que designa por “indagação da pedagogia”, traduzida de Scholarship of Teaching and Learning [SoTL].
A investigadora falava na conferência de abertura do 4.º Seminário de Práticas Pedagógicas do IPS, um espaço de partilha e reflexão sobre metodologias de ensino entre docentes das cinco escolas da instituição, de diversas áreas disciplinares, que se prolonga até à tarde de hoje, no campus do Barreiro.
“Esta abordagem tem a ver sobretudo com um posicionamento crítico do professor em relação às culturas pedagógicas da instituição onde leciona e à sua própria prática”, explicou a especialista, também responsável pela área de Inovação Pedagógica no Conselho Nacional de Educação (CNE), adiantando que no centro deste movimento está o próprio estudante, e as competências que deverá desenvolver. “A pedagogia centrada no estudante traz uma responsabilidade acrescida ao professor, faz dele um arquiteto da pedagogia. É um professor que está atento e que cria, em função do que observa, as condições do ambiente de aprendizagem”.
Numa intervenção em torno dos “Caminhos da inovação pedagógica no Ensino Superior”, Flávia Vieira lembrou ainda o papel das instituições nesta transição de paradigma, apontando o IPS como exemplo. “A iniciativa individual dos professores é sempre importante, isso é inegável, mas institucionalmente é necessário haver políticas e práticas que favoreçam estes movimentos, dando oportunidade aos professores de fazerem uma formação mais acompanhada e um trabalho de estudo das suas práticas também mais acompanhado, e de terem oportunidades, como este seminário, de divulgação daquilo que fazem. O IPS está a caminhar nesse sentido e isso é um bom sinal”.
Contemplando várias sessões paralelas, uma mesa-redonda e uma mostra de pósteres que dá a conhecer práticas e projetos desenvolvidos no IPS, o programa do seminário integra igualmente a apresentação e discussão em grupos de trabalho de um documento orientador sobre o recurso à Inteligência Artificial no contexto do Ensino Superior, bem como a apresentação dos resultados de um estudo sobre a igualdade de género no IPS.
No IPS, a “inovação pedagógica veio para ficar e é muito importante que esteja intrincada nos nossos planos de estudo”, destacou na sessão de abertura a presidente da instituição, Ângela Lemos, justificando a realização deste seminário desde há quatro anos. “Não queremos ser um mero veículo de informação, queremos construir pensamento com os nossos estudantes e é por isso que temos que estar dispostos a refletir sobre novas formas de ensinar”.
Em nome da organização, Catarina Delgado, pró-presidente para a Inovação Pedagógica, defendeu a crescente pertinência deste encontro, num contexto em que se adensam os desafios no Ensino Superior. “Temos estudantes com experiências, percursos e necessidades cada vez mais diversos, temos novas exigências sociais, profissionais e tecnológicas, e temos também uma preocupação crescente com a inclusão e com a participação dos estudantes”, lembrou, sublinhando a importância de um espaço onde se possa “parar, olhar para o trabalho que se faz diariamente, dar-lhe visibilidade e pô-lo em diálogo com outros colegas”.
